Bruno “PlayHard” Bittencourt, cofundador da LOUD, revelou em um vídeo no YouTube os bastidores da montagem do elenco campeão do VALORANT Champions 2026 e da aposta em Roberto “erde” Lobos como IGL. Segundo o dirigente, a equipe chegou muito perto de ser desfeita pouco depois de formada. A virada, de acordo com ele, só aconteceu porque a comissão técnica conseguiu reorganizar o ambiente interno.
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A conversa aconteceu depois da conquista do título mundial em Xangai, na China. Na transmissão, PlayHard explicou por que a organização mudou a forma de contratar jogadores nos últimos dois anos. A realidade financeira do cenário brasileiro, segundo ele, levou a LOUD a buscar talentos jovens, como erde e Lucca “lukxo” Travaioli, em vez de copiar o modelo dos times estrangeiros.
UM MODELO DIFERENTE PARA O BRASIL
O dirigente afirmou que equipes de fora, que faturam em dólar ou euro, podem simplesmente identificar um jogador, pagar a multa e o salário. No Brasil, porém, a conta é outra. “Você tem que considerar que os patrocinadores são totalmente diferentes, o patamar de investimento, até o poder de consumo dos torcedores para comprar camisa, comprar skin”, disse PlayHard durante a live.
Ele também revelou um dado pouco conhecido do público. Apesar de ser uma das organizações com mais torcida no VALORANT, a LOUD não está entre as que mais vendem skins no jogo. Por isso, a organização decidiu testar outro caminho, apostando em promessas do Tier 2 ou em atletas pouco aproveitados por outros times, mesmo sabendo que o elenco levaria tempo para ganhar maturidade.
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COMO A LOUD FEZ O SCOUT DA DUPLA
PlayHard evitou entregar todos os detalhes do processo para não ajudar equipes rivais, mas contou parte das etapas do scout que levou à contratação da dupla. Segundo ele, a habilidade dentro do jogo é menos da metade do que pesa na escolha de um atleta. “Eu diria que habilidade talvez é o que menos importa”, afirmou. Entre os passos que ele pôde revelar, estão:
- Treinos dos candidatos com o elenco da época e com outros jogadores do cenário
- Conversas com o psicólogo da organização
- Bate-papo com os demais atletas do time
- Entrevistas com amigos do jogador que já atuaram em outras equipes
- Conversas com a família do atleta
- Em um dos tryouts deste ano, contato com professores que deram aula ao jogador na escola
A APOSTA EM ERDE COMO IGL
O dirigente lembrou que erde tinha apenas 17 anos no início da temporada e não podia ser escalado de imediato, o que deixou a LOUD em uma situação delicada. Enquanto isso, lukxo estreou mostrando um estilo solto e agradou a comunidade, mas o time ainda tinha dificuldade para vencer partidas. Ao mesmo tempo, o estilo de liderança de Bryan “pANcada” Luna não estava encaixando no elenco.
Foi então que erde, prestes a completar 18 anos, se ofereceu para ser o IGL. A ideia gerou resistência interna, já que se tratava de um jogador recém-chegado, sem títulos e mais novo que todos os companheiros, em um time com um campeão mundial. “Se alguém visse a gente botando um moleque que acabou de chegar no time, de 18 anos, para ser IGL, eles iam falar que a gente é louco”, admitiu PlayHard.
Segundo ele, um dos momentos de virada foi conseguir que todo o elenco comprasse a ideia. Com erde no comando, os resultados em treinos e jogos começaram a aparecer. PlayHard destacou ainda que o perfil do chileno foge do padrão, já que a maioria dos IGLs de sucesso é formada por jogadores mais experientes e, muitas vezes, menos habilidosos na mira.
O TIME QUASE FOI DESFEITO
Mesmo com a formação fechada, os problemas não acabaram. PlayHard contou que houve brigas e discussões, como em qualquer ambiente competitivo sob pressão, e que o time esteve muito perto de se desfazer logo após se juntar. “A gente ia voltar pra era de escuridão”, relembrou. Segundo ele, mais uma vez a comissão técnica conseguiu colocar tudo nos trilhos, e a equipe passou a deslanchar.
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A DECISÃO DE ERDE ANTES DO CHAMPIONS
O ponto mais marcante da live foi o relato sobre o falecimento da mãe de erde. De acordo com PlayHard, a notícia chegou à organização dois dias antes da estreia da LOUD no Champions. O jogador não tornou o assunto público durante a competição e só falou sobre isso na entrevista após o título. Para o dirigente, seria totalmente compreensível se o chileno deixasse o torneio para se despedir da mãe.
PlayHard afirmou que erde tem um dos mentais mais fortes que já viu no cenário e acredita que o momento difícil serviu de motivação para o jogador, que dedicou a conquista à mãe e à família. “Tem pessoas que são muito boas no que fazem e tem pessoas que nasceram para viver um momento. Esse era o momento do erde”, concluiu o cofundador da LOUD durante a transmissão.



