A mídia física está cada vez mais próxima de perder espaço definitivamente nos videogames. GTA VI, um dos lançamentos mais aguardados da história, chegará em 2026 sem disco mesmo na sua versão vendida em caixa, enquanto a Sony já confirmou que encerrará a produção de discos para novos jogos de PlayStation 5 (PS5) a partir de janeiro de 2028. O cenário reforça uma mudança que já vinha acontecendo há anos, mas que agora ganha proporções inéditas.
Embora não seja correto afirmar que Grand Theft Auto VI sozinho provocou o fim das mídias físicas, a decisão da Rockstar e da Take-Two pode ser vista como um divisor de águas. Afinal, se até um jogo com potencial para se tornar um dos maiores lançamentos comerciais da indústria consegue abrir mão do disco, outras publicadoras passam a ter um precedente bastante significativo para seguir o mesmo caminho.
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COMO GTA 6 ESTÁ AFETANDO O FIM DA MÍDIA FÍSICA?
A Rockstar confirmou em junho que GTA VI terá uma versão física, porém o produto encontrado nas lojas não contará com o jogo gravado em disco. Em vez disso, a caixa incluirá apenas um código para que o jogador faça o download completo no PlayStation 5 ou Xbox Series X|S. O título será lançado oficialmente em 19 de novembro de 2026.
A medida chama atenção principalmente pela dimensão da franquia. GTA V vendeu centenas de milhões de unidades ao longo de sua trajetória, e a Take-Two afirma que as reservas de seu sucessor registram uma demanda “sem precedentes”. Isso significa que o sexto título da franquia poderá funcionar como um enorme teste prático para uma indústria que avalia há anos se um blockbuster consegue depender praticamente apenas da distribuição digital.
O CEO da Take-Two, Strauss Zelnick, também deixou clara a visão da companhia sobre o assunto. Segundo o executivo, mais de 90% dos negócios da empresa já acontecem no ambiente digital, o que reduz cada vez mais a relevância dos discos em determinados lançamentos. Zelnick chegou a argumentar que, especialmente em jogos grandes, esse formato já não faria tanto sentido para o consumidor.
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Os próprios números financeiros da Take-Two ajudam a entender o posicionamento. No ano fiscal encerrado em março de 2026, aproximadamente 97% das reservas líquidas da companhia vieram do segmento digital. Na prática, os dados ficaram divididos da seguinte forma:
- 97% das reservas líquidas vieram do segmento digital.
- Apenas 3% ficaram ligados à mídia física, varejo e outras categorias.
- Mais de 90% dos negócios da Take-Two já passam pela distribuição digital.
- A transição já estava bastante avançada antes mesmo da chegada de GTA VI.
Os números mostram que a dona de Rockstar e 2K já trata o mercado digital como seu principal modelo de distribuição. GTA VI, portanto, não inicia sozinho essa transformação, mas pode se tornar o maior exemplo de que até os blockbusters mais importantes conseguem abandonar o disco tradicional.
SONY ACELERA PROCESSO E DEFINE DATA PARA FIM DA MÍDIA FÍSICA NO PS5
O movimento ganhou ainda mais força em 1º de julho de 2026, quando a Sony Interactive Entertainment confirmou oficialmente que encerrará a produção de discos físicos para todos os novos jogos lançados nos consoles PlayStation a partir de janeiro de 2028. Depois dessa data, títulos inéditos serão comercializados somente em formatos digitais.
A companhia afirma que jogos lançados antes desse prazo não serão afetados. Portanto, discos já existentes continuarão funcionando normalmente em consoles compatíveis. A mudança está relacionada exclusivamente a novos lançamentos produzidos após o início da nova política, indicando uma transição gradual, e não o desligamento imediato dos leitores presentes nos aparelhos atuais.
Segundo a Sony, a decisão acompanha a mudança no comportamento dos consumidores e a preferência crescente pela distribuição digital. A companhia considera que o novo formato está mais alinhado à maneira como grande parte da comunidade atualmente compra e acessa videogames, repetindo um raciocínio semelhante ao apresentado pela própria Take-Two ao justificar a estratégia adotada em GTA VI.
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QUAL O IMPACTO DO FIM DAS MÍDIAS FÍSICAS NOS CONSOLES?
No caso dos videogames, uma das principais preocupações envolve a preservação. Um disco pode permanecer em uma coleção durante décadas e, dependendo de como o jogo foi produzido, continuar utilizável mesmo após mudanças na infraestrutura online. Uma licença digital, por outro lado, está ligada a uma plataforma, conta e servidores controlados pelas próprias empresas responsáveis pela distribuição.
Também existe o fator financeiro. Jogos físicos podem aparecer com descontos diferentes dependendo do varejista e ainda alimentam um mercado de usados, no qual jogadores conseguem comprar, vender ou trocar títulos. Em um ecossistema exclusivamente digital, o controle sobre preço e disponibilidade fica concentrado principalmente nas lojas mantidas pelos fabricantes dos consoles.



