O cenário competitivo de VALORANT na América do Norte foi abalado por uma denúncia explosiva feita por Sean “sgares” Gares, Diretor Geral da Shopify Rebellion Black e ex-treinador de Counter-Strike. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Gares revelou a existência de um esquema de manipulação de resultados, subornos e apostas ilegais envolvendo jogadores do Tier 2 — incluindo adolescentes — em troca de derrotas combinadas em partidas oficiais.
A denúncia gerou repercussão imediata, afetou reputações, mobilizou investigações da Riot Games e acendeu um alerta vermelho sobre o abandono estrutural das ligas de base do FPS da Riot.
sgares diz que o cenário de VALORANT, especificamente o Tier 2 do NA, está “contaminado” com manipulação de resultados, trapaça, redes clandestinas de jogos de azar e “pessoas ganhando centenas de milhares de dólares em jogos fraudados”.
Ele ainda traz informações que jogadores de VALORANT, incluindo adolescentes de 16 a 18 anos, estão sendo aliciados por esquemas de apostas ilegais.
As principais vítimas das redes são equipes sem apoio monetário suficiente de suas organizações, que, por conta disso, acabam aceitando o suborno em troca de sua derrota na competição regional. Sean descreve os afetados como “desesperados” pelo valor.
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ENTENDA O ESQUEMA DE MANIPULAÇÃO
Um dos intermediários identificados foi Bray, que faz contato direto com os jogadores por suas redes sociais e, após isso, migra a conversa para canais criptografados no Telegram. Os jogadores são comprados com a ideia de que se perdessem as séries pelo placar pedido, ganhariam uma pequena porcentagem do valor das apostas totais, que eram divido entre Bray e seus colegas.
Os chutes eram feitos em sites de aposta esportiva por contras de streamers, o que permitia um valor elevados nos jogos do Tier 2. O pagamento seguia a mesma estratégia das conversas do Telegram: não serem rastreáveis. Por isso, o valor era dado por meio de criptomoedas.
“As pessoas não estão apenas roubando dinheiro de outras pessoas, elas também estão roubando o sustento dos jogadores que estão fazendo isso de maneira justa. Eles realmente colocaram sangue, suor e lágrimas nesta indústria para construí-la”, pontua Sean.
PROVAS APRESENTADAS AFETARAM EQUIPES EXPOSTAS
O treinador comentou que “tudo havia começado com a derrota do Blue Otter“. Segundo ele, após rever uma gravação de VOD entre Burger Boys e Blue Otter, notou jogadas e movimentações suspeitas de ambas as equipes. Veja:
A Riot Games abriu investigação de forma sigilosa a respeito de manipulação de resultados no Challengers NA. Mas, ao levar o escândalo a público, Sean prejudicou a reputação dos jogadores. Em nota, a equipe da Blue Otter escreveu:
“Nós cinco havíamos planejado que a investigação da Riot limpasse nossos nomes de forma privada, mas, já que as acusações contra nosso time foram publicizadas, nós (Blue Otter) estamos no processo de preparar uma resposta em vídeos às alegações feitas por @seangares contra nós.” O time explicou que entendeu a intenção de Sean em ajudar o cenário, mas, que as acusações também causaram “danos irreparáveis” à reputação e carreira dos jogadores.
Além da equipe num todo, Sean analisou destacou as decisões infundadas de Bob “Bob” Tran (da FlyQuest RED/Blue Otter) e Adam “Fair” Elharoun. E, após as alegações, o time recebeu uma onda de ataques de ódio e, além disso, Bob foi afastada de seu time atual, a FlyQuest RED, e do torneio inclusivo de VALORANT, o Game Changers North America. No fim do comunicado, os jogadores negaram todas as acusações feitas à organização e a equipe.
DECLARAÇÃO DE TENZ SOBRE AS REVELAÇÕES
Por meio de um artigo, publico no X do ex-jogador profissional de VALORANT, Tyson “TenZ” Ngo expressou sua decepção, mas não está surpreso com a situação. “É genuinamente deprimente e decepcionante ver a Riot lidar mal com um jogo que eu realmente amo e me importo (mesmo que eu o critique bastante)”.
Mas, não está surpreso com a situação: “os jogadores estão dedicando todo o seu tempo e energia para se tornarem os melhores […] Quando essa energia se perde, as pessoas podem acabar aceitando dinheiro para entregar partidas – e, para ser sincero, esse tipo de dinheiro pode mudar a vida deles”.
O creator diz que a Riot Games nunca considerou a importância do Tier 2, “um pilar crucial de suporte para o Tier 1”. Apesar do “caminho do herói” ser incrível para TenZ, o ex-jogador destaca como essa desatenção pode “desmoronar” toda a estrutura da região.
Apesar do Tier 2 ser uma parte essencial do cenário competitivo de VALORANT, sua baixa audiência dificulta investimentos em larga escala para a competição nacional. Tornado-o menos lucrativo às organizações, logo, menos atrativo também. “Espero que eles percebam que precisam apoiar todo o ecossistema competitivo, não apenas o topo”, finaliza TenZ.
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POSICIONAMENTO DA RIOT
A Riot Games se pronunciou sobre o caso no dia 24 de maio, por meio de um artigo publicado em suas redes sociais. Segundo Leo Faria, Head Global de VALORANT, a desenvolvedora está investigando as acusações e buscando evidências mais concretas sobre o escândalo. Acesse a matéria sobre o comunicado, feita pelo VZone.